O turismo brasileiro fatura menos que Las Vegas

Foto: PhotoStock
Na última segunda-feira, aluguei um filme light para relaxar. No caso, “Treze Homens e um Novo Segredo” (Ocean's Thirteen, EUA, 2007), de Steven Soderbergh. É a mesma receita dos outros dois filmes, seqüência iniciada com “Onze Homens e um Segredo”, remake do filme homônimo da década de 60 (“Ocean's Eleven”) com Frank Sinatra, Dean Martin e Sammy Davis Jr. Basicamente, um bando de escroques charmosos e bem-humorados, tiradas irônicas, figurino classe A, locações bacanas e uma trilha retrô muito boa. Enfim, voltando ao tema principal, o fato é que este último (?) filme da série traz, nos extras, um interessante documentário de 20 minutos que conta resumidamente a história e fatos pitorescos de Las Vegas, a verdadeira “Sin City (Cidade do Pecado)”. Com a prosperidade do pós-guerra, o malandro e empresário “Bugsy” Siegel enxergou naquela cidadezinha industrial do estado de Nevada uma forma de ficar ainda mais rico. Em 1946, gastou US$ 6 milhões – muito dinheiro na época – para erguer o Flamingo, considerado o hotel mais luxuoso do mundo naqueles dias. A partir daí, Vegas não parou e, ainda hoje, é a cidade que mais cresce nos Estados Unidos.
Um dia depois, ou seja, terça-feira, foi divulgada uma ampla pesquisa elaborada pelo Ministério do Turismo ou algo que o valha informando que o Brasil recebeu, em 2006, cerca de 5 milhões de turistas que gastaram US$ 4,3 bilhões por aqui. Bom número? Com certeza, muito aquém de nossas possibilidades. Las Vegas, sozinha, recebe 38 milhões de visitantes que gastam US$ 8 bilhões apenas com jogo. OK, nesse cálculo certamente estão inclusos os moradores da cidade e os visitantes norte-americanos. Mas é um número para se pensar. Só as roletas e caça-níqueis de Vegas faturam mais que o Brasil inteiro arrecada com visitantes estrangeiros.
Mais algumas curiosidades. Enquanto na maioria das cidades, tanto norte-americanas como em outros países, os edifícios ganham prestígio à medida que envelhecem, em Vegas se transformam em castelos de cartas. Ali, raramente um prédio dura mais de 30 anos. Os hotéis e cassinos mudam sempre. Ou, seja, o visitante ocasional sempre tem novidades. A arquitetura desses empreendimentos segue algumas regras. Ao entrar, o visitante percorre uma curva, jamais uma reta, para atiçar sua curiosidade e estimulá-lo a conhecer tudo. O teto é sempre rebaixado para deixar o ambiente mais acolhedor e fazer com que o visitante permaneça mais tempo por ali. E há, também, o que eles chamam de “Princípio da Mariposa”: as pessoas também são atraídas pelo brilho das luzes...
Escrito por Alessandro Pinesso às 14h19
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